A Polícia Civil do Piauí concluiu, nesta semana, o inquérito que apurou a morte do jovem Francisco Werick Silva Alves, de 20 anos, ocorrida em 25 de julho de 2025, no Bairro Fripisa, em Campo Maior, no Norte do estado. Ao fim de aproximadamente dez meses de investigação, o delegado Carlos Júnior confirmou, com exclusividade ao jornalista Eurico, Homem da Notícia, o indiciamento do policial militar do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI) Hesron Gonçalves de Sousa e Silva pelo crime de homicídio.
A conclusão do inquérito é baseada em um conjunto robusto de laudos periciais que, segundo a investigação, contradizem a versão inicial apresentada pelo policial militar.
Laudo da perícia
De acordo com os laudos reunidos pela Polícia Civil, Werick morreu em razão de hemorragia provocada por quatro disparos de arma de fogo. A perícia balística foi categórica ao concluir que os projéteis partiram da arma funcional do policial Hesron Gonçalves.
A vistoria realizada no imóvel onde o PM estava no momento dos fatos também trouxe um elemento decisivo: não foram encontrados sinais de arrombamento na residência, ponto que enfraquece eventuais teses de invasão.
Outro dado relevante apurado pelos peritos chama a atenção: um suposto simulacro de arma de fogo e um facão foram localizados a 14,11 metros do corpo da vítima. O simulacro, segundo o laudo, estava quebrado. Além disso, técnicos registraram gotejamento de sangue no chão, indicativo de que Werick teria tentado recuar ou fugir após ser atingido pelos primeiros disparos.
Testemunhas ouviram quatro tiros na madrugada
Moradores da região relataram à Polícia Civil ter escutado cerca de quatro disparos na madrugada do crime, na rua Alberto Bona Neto, via que liga os bairros Fripisa e Santa Cruz, em Campo Maior. O número de tiros relatado coincide com o resultado da necropsia da vítima.
Conforme o relatório da Polícia Militar e informações da própria corporação reunidas no inquérito, logo após o ocorrido o policial Hesron Gonçalves teria acionado colegas do BEPI em Teresina, e não a guarnição local do 15º Batalhão de Campo Maior — procedimento que chamou a atenção dos investigadores e poderá ser alvo de novos questionamentos.
Defesa da família promete novos pedidos
A defesa da família de Werick informou que pretende adotar medidas adicionais no curso da ação penal. Entre os pleitos, está o requerimento de reconhecimento de possível fraude processual, a apuração de eventual alteração da cena do crime e o pedido de inclusão de qualificadoras que afastem a tese de legítima defesa — argumento comumente utilizado em casos envolvendo policiais.
A estratégia da defesa indica que, caso acolhidos os pedidos, o caso pode ganhar contornos mais graves, com aumento expressivo da pena em caso de eventual condenação.
O que vai acontecer
Com a conclusão do inquérito após cerca de dez meses de investigação, os autos seguem agora para análise do Ministério Público do Piauí (MPPI), responsável por decidir sobre o oferecimento da denúncia, e, posteriormente, do Poder Judiciário, que avaliará o recebimento da peça acusatória e o eventual prosseguimento da ação penal contra o policial militar.
Por se tratar de crime doloso contra a vida, o caso, se denunciado, deverá ser submetido ao rito do Tribunal do Júri.
Por Eurico, Homem da Notícia – Para o IG Notícia